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Ficar fora do split payment em 2027 pode custar competitividade às pequenas empresas

A Reforma Tributária vai mudar não apenas a forma de calcular os impostos, mas também a maneira como o dinheiro das vendas circula dentro das empresas. Uma das principais novidades é o split payment, sistema que separa automaticamente o valor do IBS e da CBS no momento em que o pagamento é realizado.

Embora a obrigatoriedade geral do mecanismo para operações entre empresas esteja prevista pela Receita Federal para 2028, a implementação deverá começar de forma gradual em 2027. Por isso, as pequenas empresas já precisam entender como o novo modelo pode afetar sua rotina, seu caixa e sua competitividade.

O que é o split payment?

Na prática, o split payment funciona como um pagamento dividido.

Quando uma empresa realiza uma venda, o valor correspondente ao IBS e à CBS poderá ser separado automaticamente no momento da liquidação do pagamento e direcionado ao Fisco. O restante é repassado ao fornecedor.

Hoje, em regra, a empresa recebe o valor total da venda e posteriormente calcula e recolhe os tributos. Com o novo sistema, o imposto passa a ser separado durante a própria operação financeira.

Por que isso preocupa as pequenas empresas?

O principal impacto está no fluxo de caixa.

Quando o imposto é separado no momento do pagamento, a empresa deixa de contar temporariamente com aquele dinheiro para pagar outras despesas. Isso pode reduzir o espaço disponível para capital de giro e exigir um controle financeiro mais preciso.

Para uma pequena empresa, essa mudança pode ser significativa. Um negócio que depende do dinheiro das vendas para pagar fornecedores, salários, aluguel e outras despesas terá menos margem para utilizar recursos que anteriormente permaneciam no caixa até o momento do recolhimento.

Por isso, não basta olhar apenas para a alíquota do imposto. É necessário entender quando o dinheiro entra e quanto efetivamente ficará disponível para a empresa.

E quem ficar fora do split payment?

Durante a fase de implementação, o split payment deverá coexistir com outras formas de recolhimento. A legislação prevê uma implantação gradual e também modalidades alternativas de recolhimento.

Isso significa que 2027 será um período importante de adaptação.

Para as pequenas empresas, acompanhar a evolução do sistema pode representar uma vantagem. Aquelas que anteciparem ajustes em seus sistemas financeiros, emissão de documentos fiscais e controle de recebimentos terão mais condições de avaliar os impactos antes que o mecanismo se torne amplamente obrigatório.

Além disso, a escolha do modelo de recolhimento do IBS e da CBS pode influenciar o aproveitamento de créditos tributários e, consequentemente, a posição da empresa na cadeia de negócios. O próprio governo destaca que a escolha do regime de apuração deve considerar as características e necessidades de cada atividade.

Competitividade também passa pelo planejamento

A preocupação não é apenas pagar mais ou menos imposto.

Uma empresa competitiva precisa saber quanto realmente sobra de cada venda, como os tributos afetam seu capital de giro e como seus clientes e fornecedores serão impactados pela Reforma Tributária.

Por isso, as pequenas empresas devem começar a avaliar:

  • impacto do novo sistema no fluxo de caixa;
  • necessidade de capital de giro;
  • sistemas financeiros e de gestão;
  • emissão correta das notas fiscais;
  • relacionamento com fornecedores e clientes;
  • possibilidade de aproveitamento de créditos;
  • formação dos preços de venda.

A Reforma Tributária já está exigindo decisões antecipadas. Para 2027, por exemplo, empresas do Simples Nacional terão de observar novos prazos e poderão escolher, em determinadas situações, a forma de recolhimento do IBS e da CBS.

2027 será um ano de preparação

O split payment não deve ser tratado como uma mudança distante.

Mesmo com a obrigatoriedade geral prevista para 2028, a implementação gradual começa a colocar as empresas diante de uma nova realidade financeira e tributária.

Para os pequenos negócios, esperar a obrigatoriedade para começar a se adaptar pode significar perder tempo e competitividade.

Quanto antes a empresa entender o impacto do novo modelo sobre seus preços, seu caixa e seus processos, maior será sua capacidade de tomar decisões com segurança.

A Reforma Tributária não muda apenas o imposto. Ela pode mudar a forma como o dinheiro circula dentro da empresa.

Fontes

Receita Federal, Ministério da Fazenda e Lei Complementar nº 214/2025, com alterações da LC nº 227/2026.

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